Pela primeira vez, o empresário José Antônio de Lima , 48, participou de uma missão empresarial da Fecomércio-PE. Formado em Direito pela Unicap , Antônio começou a trabalhar com manutenção de extintores de incêndio em 1984 e só agora teve a oportunidade de viajar para fora do país e conhecer uma nova realidade, totalmente diferente da que tá acostumado, na correria do dia a dia de trabalho, em Prazeres. Nesta entrevista exclusiva para o Informe Fecomércio-PE, Antônio conta como foi a sua viagem à China. Boa leitura!.
Informe Fecomércio-PE (IF) - Pela primeira vez, você participou de uma missão empresarial da Fecomércio-PE. O que levou você a ir à China e o que achou de ter conhecido “o outro lado do mundo”?
José Antônio de Lima (JAL) - Sim, foi a primeira vez e espero que outras missões tão importantes e interessantes como foi essa possam acontecer e certamente irei, se possível. Na verdade, nunca tive expectativa de atrair outros investimentos ou conhecimentos externos, pois não tinha noção dos diferenciais, não somenteem termos de tecnologia, como também de qualidade, preço e a grande perspectiva comercial que vi na China. Quando, em conversas com colegas e amigos, falava sobre a China a minha expressão era das mais simples e ignorantes possíveis, hoje minha postura é testemunhal e inversa à anterior. Acho até que se o mundo não for acometido por nenhuma anormalidade, certamente a China daqui a mais ou menos uns 20 anos será dona do mundo, ou seja, será a maior potência mundial em todos os aspectos. Até acredito que só precisaria hoje a China vender todas as suas reservas/dólar e adotar o euro, certamente o mundo ou parte dele iria se dissolver pelo tamanho estrago. O trabalho feito pela Fecomércio-PE eu somente tinha conhecimento pré forma, não imaginava a importância deste trabalho, deste estreitamento comercial que é desenvolvido pela instituição. O professor Josias Albuquerque está de parabéns. Fiquei tão curioso e interessado que comecei a ler e pesquisar sobre a China e sobre as outras missões comerciais já feitas pela Fecomércio-PE.
IF - Seus objetivos foram alcançados?
JAL – Sim. E muito além da minha expectativa.
IF - Pretende voltar à China?
JAL - Certamente, principalmente, é claro, depois das primeiras importações.
IF – Para você, que nunca viajou para fora do país, como foi negociar com os chineses? Você teve alguma dificuldade?
JAL – Foi muito difícil, já que nunca fiz nada parecido, não sei falar outros idiomas, não sou conhecedor das origens chinesas, enfim, foi muito delicado e complexo para mim. Pior, certamente, seria se não tivesse o apoio e o acompanhamento da Fecomércio-PE, que nos deu toda infra estrutura de pessoal e comercial. Sem esse apoio, certamente, seria impossível ter feito uma viagem dessa.
IF - No seu ramo, os chineses são os melhores parceiros?
JAL – Desconheço essa informação. Até onde sei são diferentes em todos os aspectos da gente, do nosso negócio aqui.
IF - Pretende voltar a participar de outras missões da Fecomércio-PE?
JAL - Sim, essa experiência me fez ter uma outra noção das perspectivas e estreitamentos comerciais que essas missões poderão nos trazer/beneficiar.
“O segredo foi nunca desistir”, Antônio Lima
A ideia de montar uma empresa de manutenção de extintores de incêndio nasceu de conversas despretensiosas entre Antônio, na época com 22 anos, um vizinho e o zelador do prédio onde morava no bairro de Boa Viagem/Setúbal. Numa certa noite, lembra Antônio, ao chegar das aulas do curso de contabilidade, após um dia de trabalho em uma transportadora, onde era empregado como calculista, Antônio comentou que um dia teria o seu próprio negócio.
O zelador, que já tinha trabalhado numa empresa de extintores de incêndio, convenceu o jovem aspirante a empresário que este ramo era o ideal. Pois bem, ele já sabia em que iria investir no negócio, mas faltava o principal: dinheiro. Juntos, separaram algumas ferramentas e montaram uma oficina de conserto de extintores na casa do zelador, que morava na favela da Borborema, no bairro de Boa Viagem. Formaram assim uma sociedade, tiraram um talão de pedido e foram em busca de clientes na redondeza, isso em 1984.
Naquela época, somente o zelador detinha o conhecimento do negócio. Os pedidos foram aumentando e o espaço ficou pequeno. Alugaram então uma casa em uma das principais vias do município do Jaboatão dos Guararapes, na Avenida Dr. Júlio Maranhão. Estava criada assim a Exbras, com investimento inicial equivalente a R$ 500,00, hoje. Como todo início de negócio bastante duro, os dois sócios, insatisfeitos com muito trabalho e pouca remuneração, largaram o trabalho.
Antônio incluiu a sua mãe na sociedade, investiu mais R$ 1.500,00, credenciando-se junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "Alguns dias me faltava até dinheiro para a passagem do ônibus. Descia pela traseira. Me empenhei e consegui construir meu espaço. O segredo foi nunca desistir e sempre reinvestir no meu próprio negócio", diz o agora vitorioso Antônio Lima.
A Exbras é hoje a maior empresa do Norte e Nordeste na execução de manutenção industrial em equipamento de combate à incêndio. Com uma clientela formada por 1.500 empresas (Ambev, Campari, Atacadão Extra, Grupo Queiroz Galvão, Pamesa, Moura Dubeaux, Tintas Coral, Unimed, Telemar/Oi, etc), 60% são indústrias de grande porte e 40% são absorvidos pelo setor de varejo.
Atualmente, a cartela de serviços que presta é extensa: manutenção, recarga e teste hidrostático em extintores de incêndio; manutenção, talqueamento e teste hidrostático em mangueira de combate à incêndio; instalação e implantação de rede de incêndio, splinkers, detectores, alarme, iluminação de emergência e pára-raios; revisão mensal em extintores e equipamento de incêndio; manutenção industrial em equipamento de combate à incêndio; treinamento de brigada de incêndio; consultoria e assessoria em sistema de combate à incêndio; entre outros.
Há 25 anos no mercado, a Exbras funcionava numa área com 400 m2 e agora passou a operar num espaço de 6.000 m2, sendo 2.600 m2 de área construída. Segundo Antônio, já existe o projeto de expansão do parque industrial. O novo parque industrial, com equipamentos modernos e com espaço maior, dará condições à empresa de reduzir o tempo consumido na produção pela metade do praticado até então. A nova unidade também possibilitará a expansão da linha de produtos e serviços oferecidos pela empresa. "Temos que expandir a nossa área de atuação para conquistar novos mercados. A nossa ideia é fechar o círculo de produtos e serviços na área de combate à incêndio", conclui Antônio Lima.



